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Rádio Adolfo Turrion

Cássio Yassaka no Gente que Faz

Por Marco Antonio Jordão

Foto Cahue Mesquita

Há profissões em que a experiência se mede pelo tempo. Em outras, pela capacidade de acompanhar as transformações que esse mesmo tempo impõe. Na mecânica automotiva, talvez as duas coisas sejam inseparáveis. E a trajetória de Cássio Yassaka é um bom exemplo disso.

Conheci a história do meu amigo Cássio a partir de sua oficina, a Cássio Serviços Automotivos, em São Paulo, há mais de trinta anos, especializada no atendimento de veículos premium. Mas, para compreender o trabalho que ele realiza hoje, é preciso voltar algumas décadas e perceber que sua relação com o automóvel começou muito antes de abrir as portas do próprio negócio.

São cerca de quarenta anos dedicados ao setor automotivo. Uma trajetória construída entre a prática diária da oficina e uma preocupação constante com formação e conhecimento. Ao longo desse caminho, Cássio acumulou aproximadamente dez anos de cursos ligados à mecânica e passou treze anos trabalhando como gerente de oficina, experiência que lhe proporcionou não apenas domínio técnico, mas uma visão bastante ampla sobre manutenção, diagnóstico e gestão.

Em 1997, decidiu transformar toda essa experiência em um projeto próprio e fundou a Cássio Serviços Automotivos. Desde então, a oficina acompanhou algumas das mudanças mais importantes pelas quais o automóvel passou nas últimas décadas.

Para quem começou a trabalhar quando a mecânica ainda possuía uma presença essencialmente física e analógica, o automóvel contemporâneo poderia parecer quase outro objeto. Carburadores deram lugar à injeção eletrônica; sistemas de gerenciamento de motor tornaram-se progressivamente mais sofisticados; comandos variáveis, sensores, módulos eletrônicos e diagnósticos computadorizados passaram a fazer parte da rotina das oficinas.

Agora, uma nova transformação está em curso: a eletrificação.

Cássio observa esse movimento com a perspectiva de quem já atravessou outras grandes mudanças tecnológicas. Para ele, a chegada dos veículos híbridos não representa uma ruptura absoluta com aquilo que conhecemos, mas mais um capítulo na evolução do automóvel.

“O híbrido nada mais é do que uma evolução. Claro, com muito mais eletroeletrônica do que o usual”, resume.

É uma frase simples, mas que revela bastante sobre sua maneira de enxergar a profissão. Afinal, para continuar trabalhando com automóveis durante quatro décadas, não basta conhecer mecânica. É necessário aceitar que aquilo que se domina hoje poderá não ser suficiente amanhã.

A passagem do carburador para a injeção eletrônica já havia exigido uma mudança profunda de mentalidade nas oficinas. A eletrificação volta a colocar o profissional diante desse mesmo desafio, agora em uma escala ainda maior. Além da mecânica convencional, entram definitivamente em cena sistemas eletrônicos cada vez mais complexos, motores elétricos, baterias, gerenciamento de energia e procedimentos específicos de diagnóstico e segurança.

Para Cássio, portanto, o futuro da oficina passa necessariamente por duas palavras: conhecimento e investimento.

Ele chama a atenção para um problema recorrente do setor: profissionais que permanecem longos períodos sem treinamento e oficinas que deixam de investir em equipamentos e atualização tecnológica. Quando isso acontece, a distância entre aquilo que o automóvel exige e aquilo que o reparador consegue oferecer cresce rapidamente.

“O grande problema é quando o profissional fica muito tempo sem treinamento, sem investir em equipamentos. Ele acaba ficando defasado por muitos anos e, nesse caso, torna-se muito mais difícil absorver essa evolução”, comenta.

Sua própria trajetória seguiu justamente o caminho contrário. Mesmo depois de décadas de experiência, Cássio continuou estudando e acompanhando as novas tecnologias. E é exatamente essa disposição para aprender que começa a preparar sua oficina para uma geração de automóveis bastante diferente daquela que chegava às suas mãos no início da carreira.

Ele acredita que os híbridos deverão conquistar espaço rapidamente no Brasil. Em sua visão, essa transição poderá ocorrer de maneira mais acelerada do que aconteceu com a introdução da injeção eletrônica. Já em relação aos automóveis exclusivamente elétricos, sua leitura é mais cautelosa.

Cássio considera que questões como infraestrutura, custos de determinados componentes e disponibilidade de mão de obra especializada ainda representam obstáculos importantes para uma disseminação mais ampla desses veículos no país. É uma percepção formada a partir de sua experiência cotidiana dentro da oficina e do contato direto com os custos envolvidos na manutenção de automóveis modernos.

E existe outro ponto que ele considera fundamental: a cultura da manutenção preventiva. Muitos proprietários deixam de realizar determinadas manutenções depois que o veículo ultrapassa o período de garantia. O resultado costuma aparecer mais tarde, quando pequenos cuidados postergados se transformam em reparos significativamente mais caros.

Nos veículos contemporâneos, essa questão ganha uma dimensão ainda maior. Faróis, sensores, módulos eletrônicos, radares e outros componentes podem atingir valores que seriam difíceis de imaginar algumas décadas atrás. Cássio recorda casos em que uma colisão frontal relativamente localizada exigiu a substituição de um farol cujo custo chegava à casa dos R$ 15 mil. Em automóveis híbridos e elétricos, componentes de alta complexidade podem tornar essa equação ainda mais sensível.

É nesse ponto que a história da Cássio Serviços Automotivos deixa de ser apenas a história de uma oficina. Ela acaba refletindo, em escala menor, a própria transformação do automóvel.

Dos tempos em que grande parte do diagnóstico dependia da experiência, do ouvido e das mãos do mecânico até uma realidade em que computadores, eletrônica e sistemas de alta tensão dividem espaço com ferramentas tradicionais, muita coisa mudou. E continuará mudando.

Cássio Yassaka atravessou boa parte dessa transformação trabalhando dentro de uma oficina. Começou em uma época, acompanhou outras e agora se prepara para uma nova geração de veículos.

Talvez esteja justamente aí a essência de sua trajetória profissional: quarenta anos de experiência não significaram quarenta anos fazendo a mesma coisa. Significaram quarenta anos aprendendo a fazer diferente.

E, em uma profissão que está novamente diante de uma de suas maiores transformações tecnológicas, essa capacidade de evoluir talvez seja a ferramenta mais importante de todas.

Assista a entrevista completa clicando no link https://youtu.be/Wn7vezbkorI